Dia de Quarteada
O dia nasce no corte na quarteada do novilho, onde o aço busca o trilho pra desafiar a sorte, o braço se faz mais forte ao desossar o destino, no couro o desenho fino de quem conhece a carcaça, a fumaça da alma passa no balanço do moinho.
No brete o bicho se estreita vem o grito e a polvadeira, a castração é a primeira poda que a vida aceita, a mão que cura é direita corta o mal pra dar o aprumo, o gado perde o seu rumo mas ganha a paz do cercado, neste rastro de legado onde o suor é consumo.
Vem o ferro incandescente brilha o fogo no braseiro, marca o couro do terneiro de forma clara e valente, o sinal que fica rente é brasão de autoridade, na rudez da claridade o gado ganha o seu dono, e no campo sem abandono se assina a propriedade.
Termina a lida o cansaço se amansa no chimarrão, ficou na terra o clarão do que se fez pelo laço, é o destino passo a passo de quem vive da querência, carne, marca e paciência forjam o homem do pampa, que traz no rosto a estampa Desta mais xucra essência.