Toda Lágrima
No campo a lágrima brota como a chuva sobre o Pago, num silente amargo afago da saudade que se nota, vem do mate e nos toca no adeus sem ter razão, na milonga de galpão vai deslizando no rosto com essência de desgosto e aroma de ingratidão.
As vezes no repuxo da lida lágrima nasce de um verso, no campeiro universo adormece pra partida, cruzando a linha da vida ficam lembranças marcadas, as almas emocionadas de um inverno solitário, pranto é som do campanário com fé na última estrada.
Às vezes ela é bondade desce mansa pelo rosto, vem do riso, do desgosto, ou no alento da saudade, é o pranto da amizade que nas curvas do sentir, não tem como reprimir seja em festa ou solidão, batidas do coração que não dá pra desistir.
Há quem chore por prazer num sorriso emocionado, pela vida ter mostrado o melhor que pode ser... e assim ao amanhecer com o sol clareando o dia, lágrima se faz poesia na pureza do momento como o vento num alento soprando em doce alegria.
Há também a desconfiança de quem finge a emoção, mas, no fundo, há traição traiçoeira fala mansa, engana com esperança desce fria e calculada, não é dor mas é pesada faz ferida sem sangrar, traz nas sombras o pesar de uma alma condenada.
No rincão da nostalgia a lágrima marca o chão, aperta o coração que carrega a travessia, é o vento que alumia no silêncio dos momentos, dando voz aos sentimentos faz da vida uma oração, numa eterna devoção ao sentir os seus alentos.
Seja amor, seja tristeza, (lágrima é força bruta) às vezes clara, absoluta, ou no canto da beleza... é assim sua grandeza um remédio ou maldição, vem na dor ou no perdão escorre firme pela face, e mesmo que ela disfarce uma nova direção.
Toda lágrima nos traz os seus dias a porvir, então busco no sorrir a liberdade da Paz, e no meu olhar se faz o que busco diariamente, a lágrima é semente de dor, ou de alegria, o pranto de cada dia traduz o que alma sente.