Buenos Dias, Estância!
No encontro veio a proposta, um desafio na Estância, a ideia causou ressonância, não teve contraproposta. Pois, de imediato, a resposta, na décima de um bom-dia, de uma virtual companhia, nas manhãs de domingo. Assim, versejando vou indo, e louvo esta Xucra Poesia.
Para seguir nesta toada, exercito a Décima Espinela, abraço a manhã na janela, pra sentir a madrugada, braseiro e o pé na estrada, avios de pilcha pra andança, nos rodeios de poesia e dança, trago “buenas” das lonjuras, em respeito às ilustres figuras, fraternos vates da Estância.
Um buenas de Santa Maria!
Neste domingo de chuvarada, encharca a terra de Imembuy, as águas do rio Vacacaí, anseiam vontades de estrada. Curtindo o calor da cevada, nesta manhã de outono, amargo solidão que entono, com estampa... feito Morotin, sonidos de campeiro clarim, num pago sem patrão e dono.
Pra cantar canções antigas, digito... Tertúlia Nativista, – Palco de grandes artistas –, o verso campeiro desobriga, notas novas, velhas cantigas, no chimarrão xucro e bagual, é o morno domingo matinal, na Santa Maria em oração, um bom-dia e gratidão, quando bate o sino na Catedral.
Um buenas de São Gabriel!
Quero deixar um bom-dia, ao povo da Xucra Estância, pois esta é a importância, nesta aurora de calmaria, o ronco do mate é melodia, no improviso da payada, e a alma alvorece lavada, no café com pão e mel, e daqui de São Gabriel, um abraço pra gauchada.
Rodeio de prendas e peões, na terra dos marechais, alvoroço entre os baguais, nos versos nos galpões, declamando as tradições, a arte plena deste torrão, e com deveras admiração, uma china toda colorada, deixou poeiras de galopada, em frangalhos meu coração.
Um buenas de Santiago!
Amanhece o dia em Santiago. A saudosa terra Natal! Isso é deveras fundamental, hoje é o verso que trago, com todo esmero e afago, de um passado ferroviário, vem de longe este itinerário, do depósito até a Estação, destinos de Boqueirão, trilhos, dormentes... cascalhos.
Transito na rua dos poetas, sinto um clima interiorano, algo sagrado... algo profano... uma visão por demais dileta, muito além da descoberta, “Romances de Estância e Querência”. Terrunhos de campeira vivência, de um paysano tão distinto! Sobrenome? Figueiredo Pinto! Aureliano! Em reverência!
Um buenas de Bagé!
Aqui na Rainha da Fronteira, que no inverno chamam Bagêlo, nesta pampa o maior pesadelo, prateia arvoredos e cumeeiras, e nesta vida estradeira, ao reboque do verso e da poesia, está aclamada a alforria, de quem busca a arte guapa, resquícios de gana farrapa, no alvorecer de um novo dia.
São largos os horizontes, na Santa Tecla da chegada, alvoroço da passarinhada, da tropa que vai em remonte, não há maula que afronte, Bagé, palco das peleias, e nas noites de lua cheia, reflete a pampa no universo, cânticos em prosa e verso, pelo Rio Grande permeia.
Então, me despeço!...
Caetano Braun nos ensina, a encerrar uma Espinela... Alguém pergunta por ela... a resposta é de relancina. Por onde anda a china? Aquela formosura colorada! deve estar em alguma aguada, a pinguancha de São Gabriel... – Deixei boleadeiras e sovéu... Voltei pra minha morada…