Milonga Envolta de Ventos
Muy amargos os mates, Cevados de solidão, Laços longos de lassidão, Clausura visível de catre. O entardecer escarlate, Mão calejada de chaleira, Na brasa galponeira, Tremula aragano ventito, Recuerdo de mate bendito! Afaga a ilusão estradeira.
Roda o torvelinho lá fora, A cuia chora aqui dentro, Sulcando o pensamento, Antigos raios de outrora, Bomba toca… sem demora, Lábios cansados de saudade, Os anos surram a idade, No crepitar do fogareiro, Um caráter de rondeio, No avanço da eternidade.
Milonga envolta de ventos, Um posteiro abandonado, Violão buerana ao lado, Tropel dos sentimentos. O baio relincha ao relento… Siamês ronrona ao braseiro. Nas pitadas do palheiro, Desafio noites em redomão. Ao longe… latidos do cão… Lembrança de milongueiro.
Nas melenas do arvoredo, A silhueta da amada, Bailam chamas coloradas, Envolvem novos recuerdos, Os meus eternos medos, Na luz fraca do candeeiro, Vibra a alma de campeiro, As cicatrizes em procissão, Chilenas riscam o chão, Sereno… o velho mateiro.
Recordações da lida, Na fagulha solitária, Labaredas da memória, Lampejos da sina perdida, Assim a campeira vida, Se voeja o firmamento, Os sonhos e momentos! Acordes de uma nota só… O passado que vira pó… Com a milonga dos ventos.