Reflexões
Silêncio... sempre ele! Enquanto me envolve com suas ausências, Reflito...
Segredo... É mais do que eu não conto! É vírgula, exclamação, interrogação... É ponto. Sem fim... Segredo está além do que existe Nos extremos, entre sul e norte. Segredo é vida após a morte, E é a vida apesar da morte... E pronto. Talvez seja assim.
É a distância Separando horizontes... É aquele abraço que envolve, É uma ponte! É um beijo doce - roubado Sem crime na intenção, Mas que, contrário à razão, Faz cativo um coração E o transforma em seu vassalo!
Desejo... É mais do que tenho em mente, Do que guardo em pensamentos, É sonho... é semente! Desejo é a flor da esperança Que cultivo em meu olhar... É a sina eterna do andejar, Um partir, querendo mais... é ficar! É vida... é gente!
É a proximidade Pelos descaminhos... É um delírio inquieto, ... fértil carinho! É aquele olhar mais puro Que me habitou, enamorado... ... é sonhar, estando acordado Em amar alguém – e ser amado É presente, plantando futuro!
Silêncio... É o verso guardado em si Que foge à voz, não vai à folha, É quietude... e frenesi! Silêncio é toda a intensidade De uma poesia estancada! É dor buscando ser alforriada Numa lágrima derramada Quando a saudade sorri...
É a importância do verbo Que não foi conjugado... É a inércia dos adjetivos ... omissão de predicados! Palavra que nunca foi dita Paixão jamais revelada... Querência, poeira e estrada Taperas abrigando o nada! ...história que não foi escrita...
Meus dias... Crias do tempo, que não volta, Da coragem que já me falta E dessa tristeza que me escolta! Os meus dias são os frutos Do que semeei, entre sóis e luas: Do brincar descalço nas ruas Aos meus mates – de alma nua Nessa solidão – que não me solta!
Quebra-cabeças do que sou E inteiras partes de mim... Meus dias são uma dura soma Que me aproxima do fim! São rastros quase apagados Nos descaminhos que trilhei... Abstrato legado que, bem sei, Viverá no pó – depois do amém Ou em retratos amarelados...
Considerações que me trouxeram até aqui... O tempo... sempre ele, Tão cheio de si...
Quem me vê “inverno” - nessas horas largas Não crê que outrora, já fui primavera... Dizem os verões, em seu calor febril: “És folha de outono, que a queda espera!”
Quem sabe alguns versos, nesse arremate? É o que te peço agora, meu Senhor de tudo! Pois bem sei que há na pena um universo Onde absolvo - e me confesso – embora mudo...
Quem sabe, então, os sonhos se realizem Emergindo em coragem tão derradeira! E a poesia, ao rebelar-se, desafie o medo Dando algum sentido à uma vida inteira!
Quem sabe o silêncio que ainda me habita Grite um poema que, enfim, me liberte! E contrariando o destino, eu me eternize Apesar do frio que algum jazigo oferte...
Reflexões... Sempre elas, a me tirarem o sono, Sem ter dó de mim...