Louvor à Mulher Gaúcha
Quando o clarim do Rio Grande chamou pra revolução, homens encilharam pingos de pronto partiram então. Nas janelas as crianças ficavam a observar e sem entenderem nada viam o pai pegando a estrada e a mãe tristonha a chorar.
Um rosário entre os dedos se espalhava na mão e a boca balbuciava pedaços de uma oração. Sozinha lá na estância à lida se dedicava: carneação, plantio, colheita e o sofrimento aceita pois a vida continuava.
Na fronteira a estancieira se dedicava a esquila, atava bem o cabelo pra trabalhar mais tranquila. Tesoura bem afiada parelho o velo cortava qual o caminho ho estreito e a saudade no peito que dia a dia lhe judiava.
Era preciso ser forte e dedicada sem igual, mesclar a lida doméstica com o dia a dia rural. Semear a esperança de ver tudo melhorar, co’a angústia que lhe cortava o filho à mãe perguntava: - Papai quando vai voltar. - Teu pai peleia meu filho por um futuro melhor e nós semeamos sonhos regados pelo suor. Quando a bandeira da paz em novos ares tremular o Rio Grande será outro e ele encilhará seu potro e pra casa irá voltar.
Quanto deve o Rio Grande a estas nobres guerreiras, que sem pegarem em armas são heroínas verdadeiras. Louvor à mulher gaúcha que esperando seu amado entre trabalho e filhos foram seguindo seu trilho alicerçando o nosso Estado.