Reflexos Pertinentes da Alma de uma Estrada
Aquela estrada que se fez tão longa está contida em mim por inerência, carrega lenta e empoeirada todos os passos de minha vivência.
Quantos sonhos traçados naquela estrada inerte onde a vida caminhava de maneira diferente, ultrapassando arames, obstáculos, barreiras pra disseminar nos campos o culto a simplicidade e a velha hospitalidade que escancarava porteiras.
A ligação dos caminhos aproximava as pessoas que se faziam estradeiras, pra conquistarem intentos de talvez, rever parentes, comprar provisão no povo ou somente cartear truco e tomar canha no bolicho; no trotear ouvido ao longe acoa a cachorrada: É a sede da saudade que vem bebendo distância pra poder saciar a ânsia de ir ao rumo do nada.
Naquela estrada semeei meus planos, reguei anseios com minhas quimeras, senti as vezes o rigor do inverno para poder chegar na primavera.
Que cenário, Deus Supremo, desenhou daquela estrada. fez o verde das campinas matizar com as flores do velho jacarandá, e as ovelhas qual amigo encontrarem um abrigo pra na sombra “descançá”. Por vezes, as sinfonias harmonizavam momentos que pelo cantos dos pássaros se tornavam celestiais; No córrego, a água pura era do campo a alma, espelhando toda a calma que Deus fez para os mortais.
Vi muita coisa, debruçado a esmo, na taipa antiga a beira da estrada: gente humilde abandonando o campo com olhos tristes e a voz calada.
Vi os extremos que tangem a vida, quando as notícias perfumavam tempos ou então lugubreavam as lembranças trazendo a saudade de quem já partiu. Os olhos parados, miravam o horizonte, buscando no além uma explicação. É mais um que sobe adentrando a terra, deixando a tristeza, que chora, que berra, funesto momento de escuridão. Naquela estrada, aprendi que o tempo cavalga eitos de modo constante e, os rastros fortes da cavalgadura só deixam marcas em nosso semblante.
Nem mesmo vestígio ficou pela estrada, das coisas, dos planos, do amanhecer, nem mesmo a fragrância das flores miúdas, das cores e amores, da fé a vencer. Nem mesmo vestígios ficaram na estrada, somente na mente a reflexão e as almas perdidas que ali plantaram, seus sonhos, saudades e sua ilusão. Rebrotam quimeras em meio a nada, tornando eterna aquela estrada por onde vagueia a recordação.