Prefácio em 3 Sonetos
O LIVRO:
Ao provérbio da antiga trilogia Esperançosamente me submeto E inauguro, na forma do soneto, O meu pequeno livro de poesia.
A poesia é um amuleto Que suaviza o nosso dia-a-dia E com certeza não existiria Se o mundo fosse apenas branco e preto.
Quem escreve suplanta os seus pudores. Nossa vida de espinhos e de flores Ante uma tela em branco se descobre.
Assim procedo. Peço a vossa bênção! Que as almas generosas reconheçam Nestes versos plebeus um sonho nobre!
A ÁRVORE:
Árvores eu plantei a vida inteira, Mas falta uma, a que mais procuro: Quando a identificar, estou seguro, Há de ser semelhante a uma figueira.
Refúgio ao viajante em tempo escuro, Sombra providencial numa soalheira. Não servindo ao comércio da madeira Terá melhor destino e mais futuro.
Hospedeira de cânticos e ninhos, Crescerá livre à beira dos caminhos Sem divisa de muro ou alambrado.
Seja pródiga em frutos e sementes E o seu lenho frágil não sustente O peso de um Jesus crucificado!
O FILHO
Se eu fosse um Patriarca do Evangelho Teria visto, filho, o espinheiro Que aprisionou o bíblico cordeiro, Para salvar o teu irmão mais velho.
Não consegui... faltou-te um companheiro, O confidente, o protetor, o espelho. Também não pude oferecer o joelho Ao “galopito” de um guri faceiro!
Depois chegaste - pleno de saúde. E agora, no fulgor da juventude, És pai de Valentina, minha neta!
Que um dia vai dizer (rosto corado), Mostrando os versos para o namorado: - Vovô era um homem bom... pobre... e poeta!
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(*) - Conforme um antigo provérbio, a nossa vida na terra se completa ao plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro.