Raiz
Tenho valores antigos, guardados dentro de mim... ...meus valores não se invertem, embora, as pessoas sim...
Me desfiz das garras e dos potros, e fui domar o meu eu, que passou a vida domando alheios potros ventenas, sem compreender que o mais xucro dos maula era o ego que em mim cresceu.
Talvez, este que falo foi o mais duro dos cavalos que meus recaus assentaram. Já com balda e cacoete foi preciso ser ginete pra se firmar sem costeio.
Já na primeira pegada senti o peso da terra, quando escondeu o fucinho, me largando nas macegas. Pude sentir neste embate, o quanto guardei rancores e me apeguei a valores me deixando as vistas cegas.
Bastou o primeiro pealo pra compreender outros tantos que plantei no meu caminho. Me recompus pra outra olada, Revendo cada pegada que semeie entre os espinhos.
Não me axiquei e fui de novo pra uma segunda refrega. Nem assim eu me afirmei e novamente experimentei a terra sob a macega.
Como faltou-me humildade pra me auto conhecer... ...como faltou-me brandura, pra saborear a candura do verdadeiro bem-querer... Como alguns amigos, alguns parceiros que nas mais duras empreitadas me amadrinharam sem nunca esmorecer!
Além dos próprios fantasmas o tempo também assombra ao ver a vida passando num trote véio apurado. Ver passar a mocidade, desgastada em leviandades das vicitudes mundanas... Carpeta e chinas tiranas que só semearam vaidades.
Tanta cobiça mesquinha que igual a erva daninha cobriu de joio meu trigo. Minha seara de enganos que a conta dura dos anos me tirou o pé do estrivo.
Como polindo uma pedra com o formão dos fracassos, retemperei o meu aço que a ferro e fogo templei... ...e o fio cego, afiou-se, assentado com paciência pois a chaira da vivência fez colher o que plantei.
Tenho valores antigos, guardados dentro de mim... ...meus valores não se invertem, embora, as pessoas sim...
Tendo raízes guapas, rebrotaram da minha alma ternos valores pujantes pra tudo recomeçar. Então, assentei minhas garras no lombo deste potro maula desentocando da jaula minhas feras pra domar.
Já maduro, e com destreza, redemoniei as tristezas e às tantas desilusões... ...dei de mão num mango feio, calcei o par de chilenas esporeando pena por pena cada uma das paixões.
Assim renasci para o mundo fazendo de cada segundo oportuna eternidade... ...então reencontrei os valores, e os verdadeiros autores que me deram identidade.
Sempre a tempo pra um começo... ...sempre a tempo de recomeçar. Recomecei sendo eu mesmo... ...primeiro, aceitando os erros, depois, colhendo o penar.
Por fim... Semeei em meu campo a verdadeira humildade que nos faz sermos nobre... ...gigantes na mansuetude que a mais buena das virtudes é saber que somos pobres.
Tenho valores antigos, guardados dentro de mim... ...meus valores não se invertem, embora, as pessoas sim...