Eu Morri Naquela Tarde
A pampa em sua inquietude se rebelava outra vez... O conceito de bravura na mais medonha altivez, desenhava a nossa imagem num quadro mais que selvagem e desumano talvez...
Era um tempo de ousadia, com barbara valentia e negativo heroísmo. ... legado remanescente com a marca procedente de um caudilhesco atavismo.
... a paz nesses longes tempos era o escasso das tréguas, que se faziam ariscas traiçoeiras e imprevistas intercalando refregas.
Quando a divisão do norte zombando da própria morte cruzou arregimentando mais voluntários pra luta, neguei anseios de moço e pra ser igual aos outros também fui na reculuta
Segui sem levar tenência sobre a tal revolução... -só fui porque todos foram era a tendência de então-
Deixei anseios pequenos e terrunha ingenuidade, pois era um mocito boeno sem retovos nem maldade, só tencionava “a lo mais” num romanesco futuro ter rancho e viver em paz.
Um solene palavrório não convenceu meus princípios mas iludiu o meu brio:
- Pelear pelo solo Pátrio é coisa pra índio macho! ... calaremos essa corja que se opõe por insolência! ... serão lembrados na história, lutar por nosso ideal mais que uma honra... é uma glória!!
- E aquele pago perfeito pra um taura viver em paz prosperando mil bonanças, foi de susto sacudido por entrechoque de lanças!
Sem pretensão fui incluso ao conceito de bravura... A força das tais palavras adestraram meu instinto pra matar sem ter piedade, pois no furor de um combate um homem mata, ou morre! É a mais terrível das leis em vigor na humanidade.
Mas não foi o suficiente ser o mais bravo e valente. -Eu morri naquela tarde- fiel ao tal ideal pelo qual faziam guerra, que por ser rude campeiro jamais eu soube qual era...
Eu morri naquela tarde mais do que bravo inocente, morri leigo aos porquês da sangrenta desavença, comungando a ignorância da guerra entre os mortais...
... por inocente encontrei o Pago eterno da paz!!