Bebedouro de Cismas
Beberás n’água empoçada da chuva dos teus silêncios, as respostas milagrosas destes caminhos de estio…
E os outros tantos andantes dirão que não é o bastante ou que os rumos são vazios.
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Sonharás nas sangas claras que refletem céus perdidos, as horas de estar além deste plano de existir…
E os outros - que já não sonham - mentirão que se envergonham dos teus passos a seguir.
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Encontrarás nos arroios escorrendo contra os matos, os motivos dos retornos e as sombras pra descansar…
E os que lamentam mormaços irão medir teu cansaço por não saberem parar.
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Verás no espelho da lágrima por tão rasa e infinita, o perdão aos desencontros das muitas encruzilhadas…
E quem jamais “virou-mundo” contará breves segundos no eterno da tua jornada.
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Sentirás contra a umidade da terra que toca o rio, todo o rigor extraviado que, ao cerne, é fundamental…
E quem nega a dor do chão planta a cruz de uma ilusão que não tem cura ou final.
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Terás no pranto vertido sobre a pele da inocência, os conselhos que a verdade compõe em nova poesia…
E os outros, que nunca choram, disfarçados nos imploram sorrisos aos próprios dias.
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Atentarás aos respingos das barrigueiras suadas, que soltam restos de mágoas desde o pêlo ao pasto antigo…
E os outros não verão nada, sem a sensível mirada que o coração traz consigo.
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Pouparás teus argumentos e a saliva dos pensares, que tens - maturando a ideia - para a palavra serena…
Há tantos clamando à toa… Serás calma de lagoa. E os outros, enchente apenas!
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Assim, as cismas que guardas - incomuns à tanta gente - se afogarão na pureza pra, depois, ressuscitadas…
…perceberem quando cedo, que a vida conta segredos na quietude das aguadas.
…A quietude em que mergulham os suspiros das distâncias e as vozes de alguma estância rimando com a ventania. E há noites, tardes e dias na cerração que madruga, feito um véu que ainda enxuga as mais tristes geografias.
Quantas aguadas por certo banharão teu peito aberto que seca em marcas de ausência? …E regarão cicatrizes pra que renasçam raízes no chão pobre da querência!...
Somos água, sal e pranto esvaindo algum quebranto pelo instante que resvala sobre o rosto da esperança, toda vez que a vida alcança silêncio em troca da fala.
Pois beber das próprias cismas é compreender mais de si e ver em volta daqui como enxerga o olhar alheio. - Já nos dizem os ditados: …Tanta aguada em bom estado corre lindo em campo feio!!