Maria e os quatro caminhos
Maria escuta o vento, lá no pátio de pedra, onde os gatos se enroscam como novelos de sombra.
Tirana afia as garras, vigia o mundo miúdo, pois sabe que a vida é brava e que o tempo não se dobra.
Raposa dorme encolhida, febril no canto da casa, Maria afaga seu pelo, sopra um canto que acalma.
Floquinho espia de longe, preguiça em forma de gato, no sol das manhãs douradas, derrete o frio da alma.
Fufi salta, gira e corre, de repente para e mia, é potro solto na várzea, é sombra que some e volta.
Maria joga a pandorga, os gatos saltam no vento, as patas tentam segredos que dançam no céu aberto.
Nas malas, leva brinquedos, pedaços de pano e espelhos, bonecas de trapo que cantam nas vozes que nunca dormem.
Nas mãos, o mate quente, caminho, poeira e afeto, leva os nomes dos que ficam e os rostos dos que esperam.
E parte, deixando pegadas nas pedras e nos caminhos, onde um dia, quem sabe, um vento leve ao longe sua história.