Doze Tinas de Águas de Poço e Rio
– I – Seis tinas de águas de poço, cruzam cordas nas roldanas. Pela gana da força do braço, liberta das profundezas, a fera. Sobe no vazio das quimeras, e alimenta o bojo da tina.
Seis caminhos do bronze da tina, e o mistério de fundo de poço, isola o animal das quimeras. No tinido rodar das roldanas, sempre à espera da besta-fera, pelas veias que saltam do braço.
Seis sogas no rígido braço, para suprir o líquido na tina. A água revolta olhares de fera, salta do balde às bordas do poço, o estridente ruído das roldanas, na profundidade das quimeras.
Seis cânticos das quimeras, das voltas do laço no braço, revira o metal nas roldanas, que enchem o topo da tina, profanam as águas do poço, assombroso grunhir da fera.
Seis tropéis de cascos da fera, nos campos-santos das quimeras, na vertical do balde no poço, fraqueja a força viril do braço, para recompor o vazio da tina, rodam as fúlgidas roldanas.
Seis cordas circulam roldanas, no sobe e desce que fere a fera, singular complemento da tina, no andejo lento das quimeras, falseia o músculo do braço, e despenca o balde no poço.
Seis cordas de poço nas roldanas. Seis clausuras no braço da besta-fera. Sedentas quimeras nas seis tinas.
– II – Seis tinas de águas de rio, sorrisos e cantos da sereia, Presente lembranças de china. Cheiro de campo e barranca, há muitas lonjuras de casario, para saciar a sede na tina.
Seis transbordos na tina, o campo tem sede de rio, distante o branco do casario, um adeus choroso de sereia, banhos de rio na barranca, e mãos calejadas de china.
Seis olhares discretos de china, e o itinerário incerto da tina, Para sempre chão de barranca. ao longe léguas turvas de rio, num lamento nas águas, a sereia, traz vontades de casario.
Seis varandas mornas no casario, alaridos e bate-bocas de china. No sol-pôr a silhueta da sereia, ao encalço da mão na tina, a tarde adormece no rio, no sobe e desce da barranca.
Seis ondas na barranca, na tarde calma de casario, as águas turbulentas do rio, são lágrimas salgadas de china, deslizam nas faces à tina... Na margem do rio, a sereia!
Seis acenos serenos da sereia, – lamento de pampa e barranca –. O bojo vazio no silêncio da tina, transbordam sonhos de casario. Presente os anseios da china, de ser cheia de águas do rio.
Seis desejos no rio da sereia. Seis olhares de china na barranca. Sedentas de casario nas seis tinas.