Rumbeando Saudades
As labaredas do fogo do galpão são espelhos pra minha alma cantadeira... Pois viajam no tempo, entre rendas de nuances rubras que brotam do espinilho em brasa a refletir um brilho de estrela misturada com uma lágrima desgarrada. O chiar da cambona em riba do fogo, quebrando o torpor do silêncio, aparta os recuerdos da mente e recria na tela vermelha da barra do dia. Um piá a correr pelos campos abertos, cortando os trevais e a ferir os bibis com as patas ágeis do petiço alazão. De quando em vez, boleando um lacito de couro com pelo, rasgando armadas por sobre os guaxos. Sob o olhar severo de seu velho pai. Deveras, o tempo passou depressa para aquele piazote. Naquelas tarde de artes sem fim, a pelear terneiros, armar mundéus e correr nos campos a rosetear os pés. Ficou na memória daquele homem que nos tempos de moço deixou a querência pra seguir outros nortes em busca daquilo que nunca perdeu ! No rastro dos rumos que seu flete patiou, restaram lembranças, saudades e amores. Daquelas lides de moço deixadas pra trás nos corredores. Depois de muitas tropeadas, a campear um feitiço para o seu coração, achou o rumo do povo, uma prenda bonita de olhar esmeralda. Abrindo picadas, aquerenciou-se de amor. No alto do cerro, junto a sombra do umbu – moradas pras mansas – plantou um ranchito de paredes barreadas e capim santa-fé com soleira na porta pras horas do amarguear. Hoje... o velhito sem lume no olhar, rebusca na boca da noite, junto ao fogo de chão, aquelas charlas fraternas das confrarias domingueiras do seu tempo de peão.