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71 poesias
Carlos Omar Villela Gomes e Ricardo Rítzel
Os meus olhos de guri eram puros, verdadeiros, Só miravam brincadeiras e pequenos horizontes; Bebiam das limpas fontes que a infância nos proporciona.... A minha alma era dona da velha Boca do Monte.
Bianca Bergmam e Carlos Omar Villela Gomes
Quando eu abri os meus olhos E enfim notei esse mundo, Tinha ânsias de saber, De onde vinham os ventos?!
Carlos Omar Villela Gomes
Um povoado se fez Com seus esteios de fé... Erguido com altivez, Veio mostrar o que é.
Carlos Omar Villela Gomes
Se não estás aqui não tenho culpa, Mas se eu estou aqui, a culpa é tua! Não soube dos teus trancos e teus sonhos, Nem lembro dos teus passos pelas ruas.
Carlos Omar Villela Gomes
A espada é feito uma pena que escreve com cor de sangue... O instinto e a loucura refletindo no metal; Os motivos e a bravura
Carlos Omar Villela Gomes e Bianca Bergmam
A janela do nada não mostrava nada, Numa falta de tristeza e alegria sem igual. Debruçado sobre o tempo, transparência emoldurada... De um nada sobre o outro, fui erguendo o meu quintal.
Carlos Omar Villela Gomes
A minha alma se afogou no rio... Peço desculpas se não convidei Os amigos pra o funeral, Mas foi tudo muito rápido, brutal,
Carlos Omar Villela Gomes
Não sei se vem de longe este desejo que me faz navegar tantos mates... Um beijo doce transborda no manto azul dos meus sonhos,
Carlos Omar Villela Gomes
Meu tio tem uma montanha... É uma montanha encantada! A grandeza da paisagem Contraponteia meus passos,
Carlos Omar Villela Gomes
A sanga beijou meus pés nessa tarde... Não pedi, foi algo natural, de improviso. Ela simplesmente chegou, Beijou meus pés e continuou a correr.
Carlos Omar Villela Gomes
Eu sou apenas palavras Pelas palavras de alguém; Eu não respeito ninguém, Apenas semeio o nada.
Carlos Omar Villela Gomes
A toca do tatu é esconderijo Onde o bichinho se resguarda e se protege; Onde tão frágil, se preserva dos perigos... É a natureza, que tão sábia, sempre rege.
Carlos Omar Villela Gomes
Chegou num tranco seguro De dono, líder, patrão... Fazendo contrapartida Ao tranco do coração.
Carlos Omar Villela Gomes
A eternidade é lagoa Por onde o tempo navega... O tempo, que abençoa Gerações e gerações.
Carlos Omar Villela Gomes
I Amor! Amor eterno e constante... A vida se inunda dessa aguada; Palavras nunca dizem o bastante...
Carlos Omar Villela Gomes e Bianca Bergmam
As asas da poesia não têm plumas Mas revoam muito além do céu imenso; Levam junto as raízes do que penso E propagam claridade frente às brumas.
Carlos Omar Villela Gomes
Batará, galo entonado, não floxas nem no lançante, Porque nasceste cercado por uma cepa maior; Batará, plumagem buena, um taura que se garante, Mas ninguém vê em teu semblante o que tens em sangue e suor.
Carlos Omar Villela Gomes
Me tira esses “zóio”, “zoiúdo”, E vai procurar teus “cupinchas”... Sou cria do oco da grota E logo rebento tua cincha;
Carlos Omar Villela Gomes
O vento vil não me verga Nem quebra a fibra da estampa Que o lombo forte do pampa Um dia viu florescer;
Carlos Omar Villela Gomes
Cerração, não me assusta o teu cenho, Quando cerras, negando o futuro; Quando cegas os sonhos que tenho Meu cavalo é um morcego no escuro.
Carlos Omar Villela Gomes
Não se debruçam meus sonhos Em parapeitos rachados... Nem nas janelas gradeadas Que teimar em se fechar.
Carlos Omar Villela Gomes
Meus sonhos, ideais, a minha força; Ungi com água benta minhas esporas Já cansadas de garrões e de puaços.
Carlos Omar Villela Gomes
Retoçou o peito feito potro arisco renegando freio... Já mirei na volta, procurando as portas pra saltar bem longe dessa solidão.
Carlos Omar Villela Gomes
De costas, fora de pulha, é assim que vejo o mundo... É assim que vejo os dias que passam ao meu redor, Contemplo o chão, deixo as casas, reviro a alma nas brasas E bato meu par de asas pra revoar da razão.